Blog - Espaço Leboyer

12 maio 2020

Na primeira dificuldade para amamentar, peça ajuda!

Acho engraçado quando as pessoas afirmam que a maternidade para mim com certeza é mais fácil. Claro, com todo conhecimento que tenho, sendo Consultora Materno Infantil, deveria mesmo ser. O fato é que quando somos mães, por mais conhecimento que a gente tenha, a Amamentação (e muitos outros aspectos da maternidade) não são tão simples assim.

Sempre tive o sonho de amamentar e prolongar a amamentação o máximo possível. Mas me surpreendi quando meu primeiro filho, Pedro, nasceu e me vi em lágrimas beirando desistir amamentar. A lição que tirei disso para sempre é: nunca julgue uma mãe que não amamentou. Você não tem ideia do que ela pode ter passado na tentativa de amamentar ou no período pós parto.

Em meio a muita dor e lágrimas me lembro de ter a certeza de que a dor que eu sentia para amamentar era pior que as contrações que senti no parto. Ele chorava, eu chorava. Era só ver que ele estava acordando para a próxima mamada que eu já ficava tensa.

Pois foi neste momento que resolvi pedir ajuda e deixei de lado os sentimentos e cobrança de que eu deveria ser uma supermãe com os superpoderes de especialista em amamentação. A Consultora de Amamentação que me acolheu, me proporcionou todo apoio que eu precisava, principalmente emocional, de que eu estava na caminho certo. Você deve estar pensando… Puxa! Uma especialista no assunto pedindo ajuda? Pois é… Naquele momento eu não era especialista em nada, a não ser em me redescobrir, renascer, conhecer o meu bebê e aquela mãe também recém nascida.

O puerpério é uma verdadeira montanha russa de emoções, meio a um tsunami de hormônios que ainda estão se estabilizando. Temos o conhecimento e a técnica da amamentação, mas o emocional tem uma enorme (se não a maior) influência no sucesso da amamentação.

Aos poucos, vamos conhecendo nosso bebê, os choros, lidando com mais calma com as situações e os cuidados, e quando vemos, pronto, a amamentação está estabelecida, mãe e bebê felizes. Mas para isso há de se viver todo um processo físico e emocional. Foram 1 ano e 11 meses de livre demanda, dia e noite, até que Pedro não pediu mais e eu grávida do segundo filho, não insisti em prolongar a amamentação. Mas essa história do desmame gentil eu conto outro dia com calma.

Meu segundo filho, Lucas, tirei de letra a amamentação! Mas não se engane não. Como especialista, já atendi milhares de mães que tiveram uma primeira amamentação perfeita, tranquila e intuitiva no primeiro filho e me procuraram desesperadas no segundo filho em meio ao caos.

Cada amamentação é única, como cada bebê é único, portanto nunca espere que a experiência de amamentar o outro filho será igual ao primeiro. Eu sempre digo, que por mais que a gente tenha todo o conhecimento do mundo sobre amamentação, o bebê recém nascido nunca mamou e para ele essa experiência também é um aprendizado.

Se eu pudesse aconselhar uma gestante ou mãe que deseja amamentar, daria 3 dicas que acho super importantes para o sucesso da amamentação:

1. Informe-se desde a gestação (busque muita informação!).
2. Mantenha a calma e a tranquilidade sempre – acredite, seu bebê é um espelho seu.
3. Peça ajuda assim que tiver a primeira dificuldade, não espere a situação piorar, pois pode não ter volta.

Em breve, vou falar um pouco sobre um dos aspectos mais importantes para termos conhecimento: a apojadura (descida do leite).

 

Por Cindy Ferrari

Consultora Materno Infantil, Enfermeira Pediatra pela USP, especialista em diversos cuidados para mães e bebês. Cindy Ferrari é mãe do Pedro e do Lucas, idealizadora e fundadora do Espaço Leboyer de Apoio Materno Infantil.

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